
A Polícia Civil desarticulou ao amanhecer de ontem uma quadrilha que se especializava e crescia cada vez mais no tráfico de drogas e começava a atuar com violência, tentando inclusive impor o toque de recolher aos moradores do morro da Embratel, no bairro Cascata, em Porto Alegre. "Cortamos o mal pela raiz", ressaltou o delegado Fernando Soares, da 23 Delegacia de Polícia, que coordenou a Operação Bem-Casado. Houve a mobilização de 90 policiais, entre agentes e delegados, além de 30 viaturas. As investigações da Polícia duraram três meses.
Na ação foram presas 17 pessoas, das quais 11 ficaram recolhidas na Delegacia por terem a prisão preventiva decretada ou por flagrante. Os demais suspeitos serão agora investigados. A maioria possui antecedentes criminais, e tudo indica que estavam seguindo os passos de parentes no crime.
Os policiais civis apreenderam 5 kg de maconha; 1,4 kg de crack; 200 petecas de cocaína; cinco revólveres; quatro pistolas; nove carregadores; 80 munições de calibres diversos; cerca de R$ 8,9 mil em dinheiro; 57 celulares; um radiocomunicador; um par de algemas; um brasão com símbolo policial; e quatro computadores. Uma moto Honda, um Fiat Palio e um Fiat Tempra, usados no transporte de drogas, também foram recolhidos. A operação teve o apoio do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM).
A quadrilha era chefiada pelo criminoso conhecido como Doce, mas outros dois cúmplices exerciam a liderança com o acusado. Todos foram presos ontem. Conforme a hierarquia interna da organização, Doce ficava responsável pela maconha e os demais se dividiam em cuidar da cocaína e do crack nos "negócios". Abaixo deles estavam dois gerentes das bocas de fumo, igualmente detidos, que arregimentavam os vendedores de drogas para atuarem em determinados pontos da área, sobretudo em três locais ao longo da rua Herval. Alguns desses lugares funcionavam até 24 horas. Duas mulheres eram responsáveis pela embalagem e preparo da droga.
Segundo Fernando Soares, a quadrilha não tinha um único fornecedor de drogas. "Na madrugada de ontem, eles buscaram meio quilo de maconha, no valor de R$ 4 mil, em São Leopoldo", observou, citando ainda, como exemplo, a obtenção de drogas no bairro Santa Rosa, em Porto Alegre, e nas cidades metropolitanas Alvorada e Viamão.
Para o delegado da 23 Delegacia de Polícia, a organização começou tímida e se expandia em ritmo crescente. "Eles estavam se criando na região e se articulando, organizando-se em um grupo muito forte. Há cerca de seis meses começaram a ficar violentos", constatou. Ele desconfia até do envolvimento dos traficantes com os assassinatos de quem os prejudicasse, conforme constatou-se no decorrer das investigações. A primeira suspeita recai sobre o aparecimento recente do corpo de uma vítima de homicídio dentro de uma caixa d''água de uma moradia na região.
Fernando Soares observou que a própria comunidade, com medo e intimidada pela ação mais violenta dos traficantes, repassou várias denúncias à Polícia Civil ao longo das investigações. "A própria comunidade pediu socorro", avaliou o delegado.